Morreu Gloria Steinem, um dos nomes mais sonantes do movimento feminista dos Estados Unidos. A escritora, jornalista e ativista de 92 anos morreu na quarta-feira, em sua casa, de forma pacífica, anunciou a fundação que era gerida pela própria.
“Ontem, Gloria Steinem morreu pacificamente em sua casa na cidade de Nova Iorque, cercada por algumas das muitas pessoas que a amavam. O quase século de vida de Gloria foi bem vivido, e continuou a trabalhar pela igualdade até o fim”, pode ler-se no anúncio da Gloria’s Foundation.
“O maior dom da Gloria era a sua capacidade de ouvir os outros, de fazer com que se sentissem vistos e ouvidos. As suas palavras, ações e exemplo permitiram às pessoas serem elas próprias”, lê-se na mesma publicação, que destaca ainda “o espirito independente, o sentido de humor e a constante curiosidade” da jornalista.
Gloria, recorde-se, é um dos rostos mais conhecidos dos movimentos feministas e foi a única jornalista que conseguiu infiltrar-se, na década de 60, num dos bares da Playboy, em Nova Iorque, como ‘coelhinha’, para denunciar as condições de vida a e trabalho das funcionárias de Hugh Hefner. A sua experiência ficou detalhada em ‘ Bunny’s Tale’.
Gloria numa das muitas manifestações em que participou© Getty Images
Steinem nasceu a 25 de março de 1934 e, devido às frequentes mudanças da família pelos Estados Unidos, não frequentou a escola regularmente até aos 11 anos.
Estudou Ciências Políticas no Smith College, uma área de estudo pouco comum para as mulheres. Depois de se formar, fez um aborto ilegal.
Trabalhou como diretora do Serviço de Investigação Independente, uma organização financiada pela agência de informações norte-americana CIA, mas cedo se dedicou ao jornalismo, escrevendo para a revista Esquire sobre temas que afetavam as mulheres.
Foi membro fundador da revista New York Magazine em 1968 e, após a cobertura de um evento sobre o aborto, cunhou o conceito de “liberdade reprodutiva”, ou seja, a liberdade de ter filhos ou não.
Juntamente com outras feministas como Bella Abzug e Betty Friedan, criou o Women’s National Political Caucus e, na década de 1970, cofundou a primeira revista feminista, “Ms.”.
A mensagem no seu perfil indicava que Steinem “passou os seus últimos anos a fazer as duas coisas que mais gostava: partilhar com os outros e escrever”.
A escritora, que sofreu de cancro da mama na década de 1980, ganhou o Prémio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades em Espanha, em 2021.
[Notícia atualizada às 12h18]
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