A compra de três fragatas FREMM EVO por Portugal a Itália por 3,9 milhões de euros continua a gerar polémica. É que o Governo não revelou (e parece não querer revelar) o valor dos juros do negócio.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, prometeu transparência e explicar todo o negócio mas, segundo o Correio da Manhã (CM), não é isso que está a acontecer.
“O Governo está a esconder quanto Portugal vai pagar em juros pela aquisição de três fragatas FREMM EVO a Itália”, garante o matutino.
A compra dos navios implica um investimento de cerca de 3,9 mil milhões de euros, que será pago com um empréstimo do programa SAFE (Instrumento de Ação para a Segurança da Europa) da União Europeia (UE), mas o Governo não esclarece quanto Portugal vai pagar em juros por este crédito.
O CM terá questionado os ministérios da Defesa e das Finanças sobre o assunto, que remeteram a resposta um para o outro, mas não responderam.
A única informação que o ministério da Defesa prestou foi que “a taxa de juro aplicável é definida pela União Europeia (UE), pois será a UE a contrair o empréstimo, resultando assim em juros a taxas inferiores aos valores que Portugal teria de suportar se recorresse diretamente ao mercado”, acrescentando que “os parâmetros do empréstimo SAFE, em particular, período de carência, maturidade, são definidos pelo ministério das Finanças. O valor a ser efetivamente pago é determinado com base nesses parâmetros”.
Lembra ainda a tutela que na compra de equipamentos pelo SAFE não é pago o IVA.
Porque é que o valor dos juros é importante?
O que fica por saber é o verdadeiro valor dos juros a pagar pela compra das fragatas, uma informação essencial para conhecer o real custo da aquisição das mesmas.
Nota o CM que se o crédito de 3,9 mil milhões de euros for pago em 45 anos, prazo máximo previsto no SAFE, à taxa de juro média entre 2% e 3%, sendo o período de carência de capital de 10 anos, o custo total com juros variará entre 1,1 e 3,2 mil milhões de euros. Ou seja, a compra das fragatas terá um custo total entre 5 e 7,1 mil milhões de euros, já com juros.
No final de julho, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, anunciou, após uma reunião com a sua homóloga italiana, Giorgia Meloni, que Portugal ia adquirir três fragatas de nova geração de construção italiana, num investimento na ordem dos 3,9 mil milhões de euros.
Na altura, Montenegro anunciou a assinatura de acordos na área da política externa e da defesa, com este último, celebrado no âmbito do SAFE (Instrumento de Ação para a Segurança da Europa) a contemplar a aquisição de três fragatas “FREMM EVO”, multifuncionais, que serão entregues à Marinha portuguesa entre 2029 e 2030.
A partir daí surgiram várias informações controversas sobre o negócio, com ameaças de processos à mistura.

Ministro da Defesa vai processar jornal, André Ventura e Pedro Frazão
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, vai processar o jornal online 24Horas, André Ventura e Pedro Frazão. Em causa está uma notícia relacionada com compra de fragatas a Itália, em que, segundo a publicação, uma empresa portuguesa foi afastada das negociações, perdendo uma comissão de 90 milhões de euros.
Márcia Guímaro Rodrigues | 15:37 – 10/08/2026
Recorde-se que a compra das fragatas representa 67% do empréstimo total que Portugal obteve através do SAFE.
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