“O objetivo aqui é criar as condições para que eles queiram sentar-se à mesa das negociações”, declarou Scott Bessent em entrevista à cadeia norte-americana CNBC, quando questionado se Washington procurava uma mudança de regime na República Islâmica.
Bessent citou o Presidente norte-americano, Donald Trump, quando duvida de que os representantes iranianos estejam prontos para um acordo de paz, enquadrando as sanções secundárias, anunciadas há uma semana na operação “Pária Económico” contra indivíduos e entidades que tenham relações comerciais com Teerão, como uma forma de pressão para relançar o processo negocial.
“Penso que a Operação ‘Pária Económico’ vai fazê-los querer chegar a um acordo”, comentou o governante norte-americano, ao prever que a via negocial será mais benéfica para Teerão do que o bloqueio que Washington pretende aplicar à República Islâmica.
Para Scott Bessent, será uma questão de tempo até que a operação de asfixia económica a Teerão comece a produzir efeitos nos líderes iranianas, alegando que “eles estão isolados” e a mostrar sinais de apreensão.
“Estamos a começar a ver os seus líderes eleitos a queixarem-se abertamente sobre o estado da economia, estão a falar com os iranianos de linha dura em público. Estão a falar com o povo iraniano”, comentou, ao apontar uma moeda nacional “em colapso” e a elevada inflação.
Sobre a base negocial reivindicada por Washington para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, o secretário do Tesouro voltou a citar Trump e a exigência de Teerão “abandonar o seu programa nuclear”, entregar o urânio enriquecido e parar o apoio a grupos armados na região.
Além disso, elencou a reabertura do estreito de Ormuz, colocado sob ameaça iraniana desde o início da guerra em fevereiro, o que fez disparar os preços internacionais de petróleo.
O secretário norte-americano reúne-se esta semana com homólogos das Finanças das maiores economias do mundo, numa altura em que os Estados Unidos perturbaram a ordem internacional com tarifas agressivas sobre importantes aliados e uma guerra impopular no seu país, que tem eleições intercalares marcadas para o Congresso e parte do Senado em novembro.
Antes da reunião dos ministros das Finanças do G20, marcada para hoje e terça-feira em Asheville, no estado norte-americano da Carolina do Norte, Bessent disse em entrevista divulgada na véspera pela agência Associated Press que planeia sancionar um segundo banco, como parte operação da “Exilado Económico”, e que a administração de Washington está preparada para exercer “violência financeira, se necessário”.
A primeira medida oficial do Tesouro no âmbito desta ofensiva económica foi uma proposta de regulamentação anunciada na sexta-feira que, se for aprovada, retirará às sucursais nos Emirados Árabes Unidos do banco Misr, o segundo maior banco do Egito, o acesso ao sistema financeiro norte-americano.
No sábado, o Banco Central dos Emirados Árabes Unidos anunciou uma inspeção às sucursais no país do banco público egípcio Misr, que é acusado por Washington de ser um eixo financeiro fundamental para o regime iraniano.
Questionado hoje pelos jornalistas sobre o tempo necessário para a economia iraniana entrar em colapso, Scott Benssent respondeu que “pode acontecer daqui a semanas ou meses”, mas insistiu que esse não é objetivo final.
“A economia não precisa de entrar em colapso, só precisamos que o regime recupere o bom senso”, observou, acrescentando que a União Europeia demonstrou “total apoio” aos esforços de novas sanções, depois de no domingo ter indicado em comunicado que Washington procura trabalhar com outros parceiros para aumentar a pressão sobre o Irão.
Até à data, Donald Trump não cumpriu as suas ameaças de um “Dia D económico” para o Irão, confiando, em vez disso, em avisos aos parceiros comerciais de Teerão, entre os quais a China, que está entre os principais clientes de petróleo da República Islâmica.
Bessent disse à AP que “todas as opções estão em cima da mesa” em termos de sanções a Pequim pelas suas compras contínuas a Teerão.
A reunião dos titulares das Finanças das 20 principais economias do mundo ocorre um dia após ataques aéreos norte-americanos na ilha iraniana de Larak, que mataram duas pessoas e feriram várias, de acordo com a agência de notícias oficial IRNA.
No seguimento da ofensiva, que, segundo as forças norte-americanas visaram plataformas de lançamento de foguetes carregados com minas marítimas destinadas ao estreito de Ormuz, o Irão respondeu com ataques aéreos contra bases dos Estados Unidos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, países que alegam ter intercetado todos os projéteis.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses já expirou.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que o estreito de Ormuz só será reaberto em troca do fim da guerra em todas as frentes e do levantamento do bloqueio norte-americano.
Ao mesmo tempo, tem negociado com o vizinho Omã um acordo provisório para o estabelecimento de rotas marítimas seguras em Ormuz, antes de os dois lados avançarem para um entendimento final, que poderá culminar na cobrança de portagens à navegação comercial.
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