Paulo Rangel foi hoje o orador convidado de uma palestra sobre “O que se passa na Europa?”, na 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política de jovens, que decorre em Castelo de Vide (Portalegre) até domingo.
O ministro fez questão de dizer que iria reiterar as palavras da véspera do secretário-geral do PSD, Hugo Soares, que considerou quer André Ventura quer José Luís Carneiro impreparados para governar.
Na mesma linha, Paulo Rangel salientou que, sobretudo num contexto de incerteza mundial e de várias guerras, o país tem de apostar “em lideres responsáveis e moderados”, uma “linha justa” que considerou estar representada no atual Governo PSD/CDS-PP.
“Alguém acha que o líder do Chega numa conjuntura de guerra, numa conjuntura de guerra comercial, seria a pessoa certa para liderar o país?”, disse, questionando a credibilidade da proposta do partido de Ventura de baixar a idade da reforma.
Sobre Ventura, o número dois do Governo defendeu que o país “não pode ser governado por demagogos, por pessoas cujo grande objetivo é dar três entrevistas por semana na televisão”.
Por outro lado, questionou também a preparação do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerando que alguém que há três anos era ministro da Administração Interna “e não foi capaz de antecipar a crise migratória e desmantelou o SEF” não está pronto para governar.
“Não foi capaz de antecipar os sinais dos tempos”, considerou.
Pelo contrário, defendeu, o atual Governo está a pensar no médio prazo quando, por exemplo, entra no capital na REN para ter “um controlo sobre a rede e a infraestrutura energética” ou quando reforça o investimento em Defesa com equipamentos para a Marinha, questionando até como podem estes temas gerar polémica.
“Nós a trabalharmos nas áreas de soberania – segurança energética, reforço da nossa capacidade de defesa da nosso espaço marítimo – e estes são os grandes temas de controvérsia para o PS e para o Chega e para um grande espetro de comentadores”, lamentou.
E completou: “Não sei em que mundo vivem, talvez vivam num mundo que já não é aquele no qual nós temos de atuar”, disse.
Paulo Rangel até admitiu que a moderação que atribuiu ao atual Governo pode não ser “sexy ou atrativa”.
“Nós não temos as propostas demagógicas e absolutamente irrealizáveis de prometer tudo a todos, de berrar a todo o tempo do Chega, mas nós também não temos as políticas delicodoces, as políticas laxistas, as políticas do deixa andar a ver no que é que dá do PS”, afirmou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu ainda o diploma que ficou conhecido como a ‘lei das burcas’, salientando que o direito à segurança está consagrado na Constituição e a igualdade entre homens e mulheres “é um direito básico”.
“Isto não é nenhum discurso extremista, é um discurso humanista (…) Não é nenhuma violência sobre nenhum imigrante que esses valores sejam respeitados, é respeitar a carta de valores europeus”, afirmou.
Numa ‘aula’ que se estendeu por cerca de duas horas, Rangel elogiou a posição do Governo na recente crise migratória em Ceuta, ao não ponderar suspender o acordo de Schengen com Espanha, mas deixando críticas à política do executivo socialista de Sánchez.
“Nós não achamos que uma política que dê o sinal de efeito de chamada seja uma política responsável”, disse, repetindo que, em Portugal, essa política foi levada a cabo pelo PS, criticando os dois anteriores ministros da Administração Interna desse partido, José Luís Carneiro e Eduardo Cabrita.
Paulo Rangel destacou também a recente eleição de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, como membro não permanente, sublinhando que tal aconteceu pela primeira vez à primeira volta.
“Ouvi muitas vezes críticas à política externa portuguesa. A pergunta que eu faço é o seguinte: se a nossa política externa fosse tão má quanto diz o PS, como é que haveria 133 países que confiaram em nós? Porque Portugal é a referência de moderação”, respondeu.
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