Bryan Kohberger, condenado pelo assassinato de quatro estudantes universitários de Idaho, em 2022, quer anular a confissão de culpa, tendo alegado ter recebido assistência jurídica “ineficaz” e que está inocente.
Kohberger, recorde-se, declarou-se culpado das cinco acusações que pendiam sobre si, em julho de 2025, na sequência de um acordo que o poupava em justiça criminal de vir a ser condenado a pena de morte.
De notar que o acordo entre Bryan Kohberger e os procuradores dividiram os familiares das vítimas, sendo a família de Kaylee Goncalves a mais crítica.
Condenado a quatro penas de prisão perpétua, o ex-doutorando da Universidade Estadual de Washington entrou, na passada segunda-feira, com um pedido de revisão criminal no Tribunal Distrital de Ada, no Idaho.
Bryan Kohberger afirma, em documentos judiciais obtidos pela estação televisiva americana NBC News, que recebeu assistência jurídica “ineficaz” dos advogados de defesa e ainda que foi “convencido a confessar falsamente” um crime que diz não ter cometido.
No pedido de revisão criminal, o homicida escreveu que acreditava que a confissão de culpa não era um fator importante na consideração da aceitação do acordo de confissão. Disse ainda ter sido “aconselhado a mentir” e que obteria uma “vitória legal” ao apresentar uma “declaração falsa”.
Os documentos vão de encontro à entrevista dada pelo próprio ao New York Times (NYT), onde afirmou estar inocente e que foi convencido a confessar os assassinatos.
“A minha inocência é a minha verdade e o pedido de confissão baseado em falsas promessas e desinformação flagrante deve ser retirado”, referiu num comunicado enviado ao NYT no domingo passado.
O ex-estudante de Justiça Criminal recusou-se, no entanto, a falar sobre quaisquer provas ou outros detalhes relacionados com a alegação de inocência, assim como preocupações específicas sobre o processo do acordo judicial.
Kaylee Goncalves e Madison Mogen, de 21 anos, e Xana Kernodle e Ethan Chapin, de 20 anos, foram assassinados na madrugada do dia 13 de novembro de 2022, na casa onde as três jovens viviam, perto do campus da Universidade de Idaho.
Na altura, as autoridades locais responderam a uma chamada de alerta e encontraram os corpos de quatro jovens esfaqueados até à morte nas respetivas camas, provavelmente enquanto dormiam.
Kohberger foi detido pelo FBI em Albrightsville, Pensilvânia, onde os seus pais moravam, semanas depois. Os investigadores disseram que fizeram corresponder o seu ADN ao material genético recuperado da bainha de uma faca encontrada no local do crime.
Até aos dias de hoje, nunca foi revelado o motivo das mortes, nem porque é que o atacante poupou duas colegas de quarto que também estavam em casa. Segundo as autoridades, dados de telemóveis e vídeos de vigilância mostram que Kohberger visitou o bairro das vítimas, pelo menos, uma dúzia de vezes antes dos assassinatos.
“Mosquito que não se consegue afugentar”
Os familiares de Kaylee Goncalves reagiram ao comunicado de Kohberger, dizendo que o assassino é “um mosquito que não se consegue afugentar”.
“A verdadeira tragédia é esta: se ao menos uma porção da energia gasta a tentar libertar um homem culpado fosse direcionada para homenagear as vítimas, haveria estátuas delas em cada esquina, parques com os seus nomes e dias reservados para recordar as vidas que perderam às mãos de um narcisista”, apontou a família em comunicado.
“Os Assassinatos de Idaho: Pesadelo Universitário”
Na quarta-feira passada, dia 29 de março, estreou uma série documental sobre o crime brutal que abalou Idaho, em 2022.
Composta por três episódios, “Os Assassinatos de Idaho: Pesadelo Universitário” mostra imagens inéditas das investigações, registos policiais, materiais arquivados e depoimentos de familiares e amigos das vítimas.

Idaho. Imagens de ‘bodycam’ mostram chegada da polícia ao local do crime
As imagens agora divulgadas, gravadas através de uma ‘bodycam’, mostram os agentes da polícia de Moscow a chegarem à casa dos quatro estudantes assassinados por Bryan Kohberger em novembro de 2022. Nas filmagens é possível ouvir os primeiros depoimentos das duas sobreviventes.
Maria Gouveia | 16:18 – 22/08/2025



