A decisão foi anunciada hoje pelo ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, que reafirmou que o Assunção defenderá “a dignidade e os interesses do Paraguai” em todas as áreas.
Segundo o chefe da diplomacia paraguaia, as declarações de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança motivaram a resposta oficial de Assunção, que considera o episódio particularmente sensível para a história nacional.
“A dignidade do Paraguai não é negociável”, afirmou Rubén Ramírez Lezcano, acrescentando que o Governo de Santiago Peña tratou a questão “ao mais alto nível desde o início”.
O conflito da Tríplice Aliança, mais conhecido como a Guerra do Paraguai, ocorreu entre 1864 e 1870, colocando Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai.
Historiadores estimam quem a população do Paraguai, à época com 400 mil habitantes, foi reduzida a 190 mil pessoas, e 90% dos homens foram mortos durante o conflito.
Lezcano revelou ainda ter discutido o assunto com o homólogo brasileiro, Mauro Vieira, durante um encontro realizado em Lima, após o qual os Presidentes Santiago Peña e Lula da Silva conversaram por telefone sobre o tema, mas sem especificar a data.
O embaixador brasileiro foi convocado para sexta-feira, ocasião em que receberá, juntamente com o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, uma nota oficial em nome do Estado paraguaio.
A insatisfação do Palacio de los López com o Palácio do Planalto tem a ver com a declaração de Lula da Silva, na semana passada, que, ao defender mais investimentos nas áreas de defesa e das forças armadas, mencionou o maior conflito armado da América Latina.
Em discurso no dia 24 de junho, o Presidente brasileiro insistiu na necessidade de mais investimentos na área de Defesa e nas Forças Armadas, porque “há loucos pelo mundo querendo fazer guerra”.
Na sequência, lembrou do último conflito armado que o Brasil já esteve envolvido e mencionou a guerra do Paraguai.
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”, afirmou na ocasião.
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