Concentrados pelo segundo dia consecutivo na capital ucraniana, os manifestantes agitaram bandeiras da Ucrânia e exibiram cartazes, noticiou a agência France-Presse (AFP).
“Devolvam Fedorov!”, podia ler-se num cartaz, enquanto outro pedia “respeito e consideração pelo povo”. Um terceiro denunciava a medida como “autossabotagem”.
Jovem reformista e defensor da alta tecnologia no campo de batalha, Mykhailo Fedorov anunciou a sua demissão na quarta-feira, menos de seis meses depois de ter assumido a liderança do Ministério da Defesa.
Popular entre os ucranianos e bem visto pelos aliados ocidentais da Ucrânia, Fedorov explicou que tinha entrado em conflito com o comandante-chefe do Exército, Oleksandr Syrsky, que prefere uma abordagem mais tradicional às operações militares.
Volodymyr Zelensky apresentou poucas explicações para a sua decisão de substituir Fedorov, mas disse que queria preservar a união do comando militar em plena guerra com a Rússia.
Mykhailo Fedorov foi substituído interinamente por Yevhen Khmara, um funcionário pouco conhecido do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) sem experiência política.
O Parlamento ainda não votou estas alterações, e não foi agendada nenhuma sessão.
Mais de mil pessoas já se tinham manifestado na quinta-feira em Kiev e noutras cidades ucranianas para exigir a reintegração de Fedorov.
A remodelação governamental revelou também sinais de divisão dentro da hierarquia militar ucraniana em relação à condução das operações, mais de quatro anos após o início da invasão russa.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).
Veja as imagens da manifestação na galeria acima.

Zelensky nomeia novo ministro interino da Defesa
O presidente da Ucrânia nomeou hoje Yevgeny Khmara, um oficial de carreira dos serviços secretos ucranianos, como ministro da Defesa interino, após a controversa saída do seu antecessor, Mykhailo Fedorov, consumada na quarta-feira.
Lusa | 17:54 – 16/07/2026



