A atuação dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos tem dado que falar ao longo dos últimos tempos, nomeadamente, devido às mortes – e contradições – que decorrerem nestes casos. O caso mais recente é o de Lorenzo Salgado Araujo, um mexicano de 52 anos que morreu na terça-feira, em Houston, no estado do Texas.
Mas, entre o que aconteceu e o que se sabe, há muito detalhes ainda a surgir. Para já, é certo que este homem morreu no hospital, horas depois de ser baleado por agentes que, sabe-se agora, confundiram-no com outra pessoa que procuravam.
Araujo chegou aos Estados Unidos há 35 anos e, de acordo com o que escreve esta sexta-feira o jornal The New York Times (NYT), estava ainda a tentar obter o seu visto de residência. Segundo o que é explicado, Araujo seguia numa carrinha a caminho do trabalho, numa obra, quando foi mandado parar pelos agentes do ICE. No veículo seguiam outros três homens, entre os quais o seu irmão, Victor Hugo Salgado Araujo. O trio permanece agora retido num centro de detenção.
Segundo o que as autoridades norte-americanas explicaram, Lorenzo Salgado Araujo terá tentado atropelá-los. Mas esta é a versão das autoridades, dado que, segundo os três homens que seguiam com ele, isso não aconteceu. As autoridades não divulgaram também qualquer vídeo que comprove que houve uma ameaça e, segundo a CBS, os agentes não usavam câmaras corporais. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês), onde está inserido o ICE, metade dos agentes desta força já têm este equipamento – mas a restante metade só deverá começar a usar estas câmaras nos próximos 60 dias.
Ainda de acordo com o DHS, Salgado terá tentado mesmo “fugir” e terá sido também por isso – e pela alegada tentativa de atropelamento – que houve disparos.
Posteriormente, o mesmo departamento explicou, citado pela imprensa de hoje, que Salgado não era quem o ICE estava à procura. Citado pelo NYT, o departamento referiu que estavam à procura de duas carrinhas brancas e que ao ver a carrinha onde Salgado estava, branca, confundiram. Salgado, segundo dizem, “parecia-se com o alvo” que estavam à procura.
A situação levou a que vários protestos acontecessem em Houston e pelo menos quatro congressistas pedissem uma investigação independente a este caso. Sylvia Garcia, Al Green, Lizzie Fletcher e Christian Menefeewrote apontaram no seu requerimento que “não foi a primeira vez que agentes do ICE usaram força desmedida, mortífera”.
Também o México já está a intervir, apresentando queixa nos EUA pela morte de imigrantes às mãos desta força policial.
A família de Lorenzo Salgado Araujo já reagiu, tendo um dos seus filhos, Ronaldo Salgado, dito, citado pelo NYT, que o pai “não queria mais nada a não ser dar uma vida vida à esposa e aos filhos. Araujo estaria mais perto de receber o seu visto de residência agora.
“É assim que quero que o mundo conheça o meu pai – não como alguém que foi baleado e morreu, mas como um homem de família, um homem que entendia que as coisas boas chegam para aqueles que trabalham arduamente”, disse.

México apresenta queixa nos EUA por mortes de imigrantes às mãos do ICE
O Governo mexicano vai apresentar queixa ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos pela morte de cidadãos mexicanos durante operações dos serviços de imigração norte-americanos (ICE), anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros do México.
Lusa | 19:36 – 09/07/2026



