A revisão da população em Portugal, por parte do Instituto Nacional de Estatística (INE), poderá ter impacto em vários indicadores, em particular na idade da reforma. Afinal, o que está em causa?
Na base desta decisão está a atualização pelo INE do número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras.
Ao Jornal de Negócios, o INE confirmou que vai rever os dados que servem de base ao cálculo da esperança média de vida aos 65 anos e, logo, a idade da reforma e o fator de sustentabilidade.
Contudo, não se sabe o calendário destas mexidas nem quando produzirão efeitos.
Afinal, qual é a idade da reforma em Portugal?
A idade da reforma vai subir para os 66 anos e 11 meses em 2027, segundo os dados da esperança de vida publicado, pelo Instituto Nacional de Estatística. Além disso, o corte das pensões por via do fator de sustentabilidade aplicado a algumas reformas antecipadas também vai aumentar no próximo ano.

Até que idade vai ter de trabalhar para se reformar? E se o fizer antes?
A idade da reforma vai subir para os 66 anos e 11 meses em 2027 e o corte das pensões por via do fator de sustentabilidade aplicado a algumas reformas antecipadas também vai aumentar no próximo ano.
Beatriz Vasconcelos com Lusa | 07:01 – 29/05/2026
“A esperança de vida aos 65 anos, no período 2023-2025, foi estimada em 20,19 anos para o total da população”, indica o INE, o que corresponde a um aumento de 0,17 anos (2,0 meses) relativamente ao triénio 2022-2024.
Com base nestes dados é possível calcular que em 2027 a idade legal de acesso à reforma será de 66 anos e 11 meses.
Este valor é superior em dois meses ao de 2026, que tinha já subido dois meses em relação a 2025.
Em 2024, a idade de reforma ficou inalterada, nos 66 anos e quatro meses, face a 2023, ano em que se registou um recuo de três meses por comparação com a idade fixada para 2022, algo inédito desde que a idade da reforma passou a estar associada à esperança média de vida.
População em Portugal? “Sabíamos que não éramos aquele número”
O ex-ministro das Finanças Mário Centeno defendeu que há muitos anos se sabia que a população do país era superior, apelando ao INE para que “não gere uma quebra de série em 2021” e use a mesma metodologia.
“É evidente, e eu insisto nisto, sabíamos que não éramos aquele número [10 milhões de população]. Sabíamos há anos e anos e anos. Eu ainda era ministro e já perguntava ao INE, sem quebrar a independência do INE, ‘onde é que estava o PIB para aquele volume de emprego’ e depois passou-se a fazer a pergunta ‘onde é que estava na população o emprego que nós identificávamos nas milhentas fontes de informação'”, disse Mário Centeno durante a sua intervenção nas jornadas parlamentares do PS, na Amadora, em Lisboa.
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