O Partido Social Democrata (PSD) ganhou três novos vice-presidentes no último congresso, que decorreu a 20 e 21 de junho, e, entre eles, está Sebastião Bugalho, que aceitou a função “com o mesmo sentido de responsabilidade” com que aceitou o “último desafio” que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, lhe colocou.
Na Grande Entrevista, emitida pela RTP Notícias esta quarta-feira, foi questionado sobre o novo cargo no partido, no qual também está agora como porta-voz. Sobre se será na prática, uma “oposição à oposição”, considerou: “Bem, ela precisa de alguma. E se assim for, assim será”.
“Eu aceitei essas funções com o mesmo sentido de responsabilidade com que aceitei o último desafio que o sr. primeiro-ministro me tinha colocado para encabeçar a lista ao Parlamento Europeu, que é um espírito de serviço”, referiu.
O agora eurodeputado, militante do PSD desde 2024, garantiu que procura e “gosta” de ajudar Portugal, e asseverou: “E gosto cada vez mais de procurar ajudar o meu partido. Não sei o que será o futuro imediato dessa função, mas se for preciso travar um combate, eu lá estarei”.
Sobre se o cargo será mais combativo perante a oposição, deixando o governantes concentrados nas políticas, Bugalho afirmou: “Acho que ninguém convida ninguém para ser porta-voz para essa pessoa ficar calada. Portanto, eu calado não vou ficar […]. Somos uma equipa”.
Questionado sobre o seu cargo atual, Bugalho rejeitou a ideia de que este iria ficar de lado – pelo menos, para já. “Fiz três voltas nacionais em campanha eleitoral em dois anos: Legislativas, Autárquicas e Presidenciais – continuei com uma presença quase total no Parlamento Europeu e não tenciono deixar. Estou empenhado em cumprir o meu mandato. Empenhado e feliz”, garantiu.
Sobre as considerações feitas por um dos seus colegas de cargo, Carlos Moedas, que disse hoje ao Observador que Bugalho era “o melhor político da sua geração”, o próprio apontou: “Essas palavras do Carlos são fruto de generosidade e amizade. E se há coisa que o PSD tem neste momento é uma grande vaga de talento geracional. Conseguimos fazer ume renovação de protagonistas com as vitórias nas Autárquicas do ano passado, temos a presidente de câmara mais jovem no Sobral de Monte Agraço, gente muito talentoso nos sub-40 […]. Temos gente, antes dos 40 anos, que vem revitalizar o sistema”.
E apesar de estar entre gente jovem, onde “os jovens do PSD são todos mais velhos” do que o próprio, há a questão do futuro, nomeadamente, em relação ao seu possível futuro como líder do partido. Questionado sobre se essas opiniões o divertem ou motivam, respondeu: “Um pouco das duas, apesar de eu não ter essa ambição. É claro que uma pessoa fica grata e em certa medida envaidecida – é inevitável quando as pessoas colocam essa pergunta. Não está nas minhas cogitações. Quanto mais tempo estou no Parlamento Europeu e mais conheço ex-primeiros-ministros que agora são eurodeputados mais percebo que essas funções de liderança e de protagonismo decisional não são para qualquer um – e eu estou convencido de que não são para mim. É preciso querer muito, é preciso ter caixa de ferramentas muito apetrechada e eu sinto que não a tenho e provavelmente não a vou ter. Não tem mal nenhum”.

Bugalho traça linhas de demarcação política do PSD face ao Chega e PS
O eurodeputado social-democrata Sebastião Bugalho traçou hoje linhas de demarcação política do PSD face ao Chega e ao PS, apontando a atuação da extrema-direita na homenagem a Cavaco Silva e a posição socialista perante Maria Corina Machado.
Lusa | 13:51 – 20/06/2026



