Num documento de 12 páginas, enviado ao Gabinete de Estudos do PS e a que a agência Lusa teve acesso, o soarista e antigo secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) faz uma reflexão sobre a situação do partido e sobre quais devem as prioridades dos socialistas para os próximos tempos.
“A hora é a de o PS se reencontrar com o país”, sintetiza, considerando que o PS “tem a oportunidade e a obrigação de voltar a ter um papel fundamental perante os riscos com que a própria democracia está a ser confrontada”.
Para Vítor Ramalho, é uma “obrigação da militância” defender o “património histórico do PS” tendo em conta “o período incerto e complexo que se vive”, criticando ainda a “ação negativa do governo da AD”.
(…) os eleitores reganharão a confiança num partido que é porta de abrigo para a satisfação das referidas necessidades, um partido previsível, fiel da balança, ponto de convergência e suporte de soluções”, defende.
Na perspetiva do antigo governante, que foi também consultor de Mário Soares nos dois mandatos como Presidente da República, não se deve partir para as próximas eleições sem fazer uma análise das “causas endógenas e exógenas que conduziram em escassos dez anos a uma profundíssima reconfiguração da AR”.
“As profundas alterações políticas agora existentes no quadro parlamentar, não modificando a essência da matriz fundadora do PS, de fiel da balança, não podem deixar de ser obviamente objeto de análise na preparação das batalhas do futuro, sem expiação incriminatória fulanizada que impõe a corresponsabilização da massa militante para os sucessos e insucessos”, aponta.
Perante aquilo que considera ser “uma encruzilhada”, Vítor Ramalho pede que se lance “com ousadia este debate interno” que terá como objetivo “reforçar o ideário do rumo da marcha do partido, regenerando a sua disposição para isso”.
Focado em voltar a criar condições para que o PS volte a ter “adesão nos jovens”, o antigo dirigente insiste na necessidade de “reforçar a revitalização do PS”.
“A convicção de que tudo se pode alterar pelo grave demérito do atual governo, não diminui a importância dos contributos para o debate sobre a primeira prioridade do PS”, explica.
Depois, no seu documento de reflexão, parte para as prioridades “com que Portugal se confronta” e que são assumidas pelo PS, começando pela justiça.
“Impõe-se desatar os nós por uma ponta, por um lado resolvendo os problemas já referidos que se passam nos tribunais, onde é mais grave a morosidade dos processos e, por outro, no que respeita ao direito penal que é por natureza um direito público, eliminando-se a regra não escrita que passou de forma crescente a institucionalizar-se, que é a do PGR dever ser originário do Ministério Público”, pede.
As outras prioridades são a saúde, a defesa e a segurança, a cultura e a língua portuguesa, a habitação e a “pressão da procura pela imigração”, o aumento da produtividade e o reforço da competitividade e a afirmação de Portugal no mundo.
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