“Peço-vos que tenham sempre uma consciência clara de quem é o inimigo: opor-se ao comunismo, opor-se à anexação, defender firmemente os valores da democracia e da liberdade e sustentar que a República da China [nome oficial de Taiwan] e a República Popular da China não estão subordinadas entre si”, afirmou William Lai.
“Só resistindo a todas as ameaças e tentações poderemos defender a soberania e a segurança da nação”, acrescentou o chefe de Estado.
Durante a cerimónia de graduação dos cadetes, Lai afirmou que os militares taiwaneses não carregam apenas a missão das respetivas unidades, mas também “a elevada responsabilidade de salvaguardar a democracia e a paz”.
“A procura da paz nunca pode ser alcançada à custa do sacrifício da soberania nacional ou da supressão da democracia e da liberdade do povo”, declarou o líder taiwanês, frequentemente acusado pelas autoridades chinesas de ser “independentista” e “instigador”.
“Peço-vos que defendam sempre a paz no estreito de Taiwan com determinação inabalável e que, com uma vontade e capacidade de combate de aço, se tornem a força mais fiável da nação e do povo”, sublinhou.
Num contexto marcado pelas “constantes ações militares” de Pequim nos mares do Leste e do Sul da China e no estreito de Taiwan, Lai afirmou que Taipé continuará a reforçar a sua capacidade de autodefesa para desenvolver “uma capacidade de dissuasão” que permita “garantir a paz através da força”.
“Continuaremos a aumentar o investimento na defesa (…) para construir o ‘Escudo de Taiwan’ (T-Dome, semelhante ao sistema israelita Cúpula de Ferro), dotar as Forças Armadas do armamento e equipamento mais avançados e desenvolver gradualmente uma capacidade de defesa nacional inteligente e sustentável”, afirmou.
As declarações surgem semanas depois de a China ter lançado uma “operação especial de controlo do tráfego marítimo” em águas a leste de Taiwan, uma iniciativa que Taipé classificou como um “ato de provocação” que causou um “grave prejuízo” à “soberania nacional” da ilha.
Pequim considera Taiwan uma “parte inalienável” do território chinês e nunca excluiu o recurso à força para assumir o controlo da ilha, posição rejeitada pelo Governo taiwanês, que defende que apenas os 23 milhões de habitantes de Taiwan têm o direito de decidir o seu futuro político.
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