O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, atirou duras farpas contra o Governo de Luís Montenegro, que considerou ser “desmazelado, […] incompetente e incapaz”, uma vez que “tem prejudicado gravemente o país”, na sequência da divulgação do relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 6 e 10 de abril, nas zonas afetadas pelas tempestades de janeiro e fevereiro.
“Luís Montenegro tem muitas respostas a dar ao país. A primeira resposta que tem de dar ao país é aquela que tem que ver com o relatório independente que foi encomendado pelo senhor Presidente da República. Agora, não foi o PS que veio dizer, nem os partidos da oposição; nem o primeiro-ministro pode culpar os partidos da oposição. É mesmo o relatório independente, que foi pedido pelo Presidente da República, que vem dizer que houve descoordenação grave no modo como o Governo respondeu às tempestades que se abateram sobre o país entre janeiro e fevereiro deste ano”, contextualizou o socialista, em declarações à imprensa, este domingo.
Na ótica de Carneiro, o documento comprovou que “Governo não teve capacidade de resposta, chegou tarde, foi incompetente e a resposta foi insuficiente”.
“Verdadeiramente, é isso que este relatório diz. Temos um Governo que é desmazelado na preparação, no planeamento, na resposta e na avaliação dos efeitos destas tempestades. […] Foi o apagão, foram os incêndios, em que o país ardia e a AD estava em festa no Pontal, e agora este relatório das tempestades. A palavra que melhor caracteriza este Governo é, de facto, desmazelo na resposta aos momentos mais críticos”, lançou.
O líder do PS acusou ainda o Executivo de ter “prejudicado gravemente o país”, já que o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) operou durante dois anos sem presidente.
“Quando saímos do Governo, ficou pronto um relatório para a transição tecnológica do SIRESP. Tinha sido feito um trabalho que tinha cumprido três objetivos: cumpriu o concurso internacional que estava a decorrer, cumpriu o objetivo da interoperabilidade das comunicações nas Regiões Autónomas e o Continente, e conseguiu também a interoperabilidade dos serviços de comunicações civis com os serviços de comunicações militares”, enumerou.
O parlamentar adiantou que “ficou na pasta de transição tudo o que devia ter sido feito para garantir essa transição tecnológica, tudo preparado pelo senhor general [Paulo] Viegas Nunes”. Contudo, recordou, “a mais importante infraestrutura de comunicações do Estado esteve sem presidente” ao longo de dois anos.
“Qual foi a notícia que soubemos ontem [sexta-feira]? O Governo foi buscar, ao fim de dois anos, o general Viegas Nunes, para voltar a assumir a presidência da SIRESP. Portanto, durante dois anos, o Governo prejudicou o interesse estratégico e crítico do país”, argumentou.
Carneiro não se ficou por aqui, tendo frisado que “nunca tivemos um Governo tão ideológico como este”, que se esquece “de fazer aquilo que tem de fazer, que é resolver os problemas concretos das pessoas”.
“Quando as pessoas querem respostas para o custo de vida, querem respostas para a habitação, querem respostas para a saúde, querem respostas para os salários e rendimentos, com o que é que o Governo tem vindo a responder? Com leis da nacionalidade, com a vontade de fazer uma revisão da Constituição, com alteração às leis laborais”, lamentou.
Para o socialista, o Executivo terá, agora, de “perder a insensibilidade que tem tido, ouvir o que lhe tem sido dito pelas oposições, particularmente pelo PS, e arrepiar caminho”.
De notar que, na sexta-feira, o primeiro-ministro apontou que os portugueses não querem eleições, mas que, em 2029, avaliarão o desempenho do Governo e das oposições.
“O povo não quer eleições; eu até diria, está farto de eleições. O povo já fez a sua opção e, em 2029, fará a próxima. Em 2029, avaliará o desempenho do Governo”, defendeu Luís Montenegro.
É que, segundo o mais recente barómetro da Aximage para o Diário de Notícias, o PS venceria as eleições legislativas contra a Aliança Democrática, caso o sufrágio acontecesse agora. A sondagem deu conta de que os socialistas ganharam uma margem de praticamente dez pontos na liderança face às eleições do passado dia 18 de maio de 2025, reunindo 33,4% das intenções de voto dos inquiridos. A AD, por seu turno, caiu para o terceiro lugar, com 23,2%, apesar de estar em empate técnico com o Chega, que obteve 23,5%.

Tempestades? Seguro aponta descoordenação e pede que “se acelerem apoios”
O Presidente da República considera que as consequências do mau tempo que atingiu o país no início do ano exigem que “se acelerem apoios, se clarifiquem medidas” e se melhore a coordenação entre entidades no terreno.
Lusa | 11:21 – 23/05/2026



