No debate quinzenal desta tarde, na Assembleia da República, André Ventura afirmou que “o Ministério da Administração Interna procurou pelo menos condicionar um relatório que vinha a público sobre o SIRESP” e “há elementos que demonstram, sem margem para dúvidas, a tentativa de ocultar informação pública” por parte de uma adjunta do ministro da Administração Interna.
Na resposta, o primeiro-ministro disse não saber “a que é que” o líder do Chega “se refere com condicionamento e com tentativa de ocultação”.
“Eu não tenho conhecimento de nada que possa ter como conclusão essa tirada. Mas o senhor deputado terá o ministro da Administração Interna no Parlamento e, portanto, dir-lhe-á, cara a cara, aquilo que sabe e terá a resposta devida”, acrescentou.
Na réplica, André Ventura questionou o chefe de Governo diretamente “se tem ou não conhecimento de um email da adjunta do Ministério da Administração Interna a procurar alterar as conclusões de um relatório”, o que levou Montenegro negou: “Não tenho”.
“Não me parece que esteja a dizer a verdade ao Parlamento, nem que não saiba efetivamente o que é que estamos a falar. E por isso, das duas uma, ou está a ocultar informação com algum propósito, ou era importante que nos explicasse porquê”, pediu Ventura.
O primeiro-ministro assegurar que ele e o Governo dizem “sempre a verdade absoluta” à Assembleia da República.
Na sua intervenção, o líder do Chega referiu-se a reforma laboral, defendendo que “é má para o país, não serve os interesses da economia e é péssima para quem trabalha”.
“Espero que já tenha compreendido que não podemos tirar direitos às mães trabalhadoras. Espero que já possa ter compreendido que não podemos criar despedimentos em bar aberto para os trabalhadores, tornando-os descartáveis como se não existissem. Espero que já tenha compreendido que não pode dizer que defende a flexibilidade laboral e querer acabar, precisamente, com uma das grandes defesas das famílias, que é a flexibilidade do horário, que ainda têm para poder assegurar”, afirmou, acusando o Governo de querer “acabar com isso tudo”.
Na resposta, o primeiro-ministro salientou que “é mentira que haja nas propostas de legislação laboral diminuição dos direitos das mães, maior capacidade de despedimento e bar aberto e alteração dos horários de trabalho”.
O líder do Chega considerou que o SIRESP “falhou” e questionou porque foi nomeado para liderar esta rede de comunicações “o homem que lá estava quando tudo funcionou mal” e o que vai o Governo fazer para não manter “o mesmo polvo de interesses que tem destruído o país nos últimos anos”.
André Ventura referiu que já foram gastos no SIRESP “centenas de milhões de euros” e defendeu o “direito à transparência”.
O primeiro-ministro acusou Ventura de “lançar a confusão e porque mistura tudo”.
“Disse hoje de manhã que o Governo estava a manter no SIRESP alguém que estava associado aos grandes falhanços do SIRESP nos últimos incêndios e no apagão. Sr. deputado, não é verdade. O presidente que foi indigitado pelo Governo e depois aprovado em Assembleia-geral do SIRESP é alguém que exerceu essas funções entre 5 de abril de 2022 e 31 de março de 2024”, referiu, assinalando que foi antes de se tornar primeiro-ministro e antes do apagão do ano passado.
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