O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, foi o convidado desta quarta-feira da “Grande Entrevista”, programa emitido pela RTP1. O pontapé de saída para esta conversa foi o jogo entre Portugal e a República Democrática do Congo, que Carneiro admitiu ter visto, ainda que o empate tenha criado alguma “desilusão”.
“Julgo que entrámos bem no jogo, mas depois tivemos dificuldades em transpor o meio de campo. Houve falta de entrosamento no último quartel do campo”, disse, confessando, na gíria, que gostava muito de futebol.
Questionado sobre se face à situação ainda mantém esperança que a equipa das quinas chegue à final, Carneiro disse: “Temos por hábito andar a fazer contas até à última da hora. É um destino nosso […]. Julgo que temos condições e equipa.”
Num dia que ficou marcado mais pelo jogo do que pelo debate na Assembleia da República, Carneiro revelou ainda que “gosta primeiro” da seleção, mas que o clube de coração é o Benfica. Mas tal como a Assembleia da República é construída com alicerces na democracia, confessa também que o seu lar também o é: “Casa muito democrática. A minha mulher é do Sporting”. E os filhos? Do FC Porto.
“Em adolescente gostava muito de jogar de futebol. Mesmo quando estive na Secretaria de Estado das Comunidades havia uma equipa, jogava-se com outros Ministérios. E, na Administração Interna, sempre que podia, gostávamos de fazer, como se diz, uma ‘peladinha’ [jogo de futebol informal]”, recordou.
Mas, fora do Governo, e agora na oposição, o tema do futebol entra também em campo na Assembleia. É que, recorde-se, ainda esta semana uma polémica entrou na baliza do Parlamento e está agora no VAR – com alguns dos próprios ‘jogadores’ a retirarem-se de campo. Em causa está o convite da Federação Portuguesa de Futebol aos líderes partidários, assim como aos líderes dos grupos parlamentares, para assistirem ao jogo inaugural de Portugal no Mundial2026.
Quanto ao convite feito e à questão da “independência”, Carneiro reforçou que por motivos de agenda não teria disponibilidade para ir, mas reconheceu que se trata de “um convite de representação”.
“Deve, contudo, haver o cuidado de avaliar”, considerou, acrescentando: “No meu caso foi de agenda e cada um avaliará nos termos em que deve ou não aceitar. Diria que a representação da Assembleia da República se faz de forma completa pelo presidente de Assembleia da República. Naturalmente que lideranças parlamentares têm também uma representação. Se o PS se fizer representar pelo seu líder parlamentar, sinto-me perfeitamente confortável porque o PS se encontra representado pelo presidente do grupo parlamentar. Mas julgo que não é necessário estar o presidente do grupo parlamentar e estar o secretario geral do partido.” Já quanto a uma eventual final, chuta essa avaliação para mais tarde: “Julgo que o Partido Socialista estará bem representado pelo presidente do grupo parlamentar.”
E em campo adversário?
Já quanto à política, Carneiro foi questionado acerca da estratégia da oposição do PS, nomeadamente em questão ao diálogo com o Executivo e na afirmação das diferenças de quem está fora do Governo. Defendendo que sempre quis mostrar a sua “disponibilidade” ao serviço do país, Carneiro garante que vestiu a camisola, nomeadamente na apresentação e propostas – na Defesa, nas questões da segurança interna e mais, como a habitação ou a crise com as tempestades no início do ano.
“Senti que, como líder de um partido com responsabilidades e com a aspiração a ter de novo responsabilidades governativas, deveria colocara o primeiro-ministro não apenas a disponibilidade, mas também apresentar propostas para as soluções dos problemas”, reforçou.
Falando sobre declarações feitas hoje do debate, apontou, ambicionando à eficácia de alguns apoios: “Dizer-se que o PS não esteve disponível para dialogar sobre a Prestação Social Única [PSU] é falso. Porque o PS foi convocado pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares e uma delegação levou o entendimento do PS.”
“Dissemos ao Governo: Dado que há um compromisso do qual dependem cerca de 600 milhões de euros, o Governo que avance com uma lei na AR que diga que o Governo cria essa PSU. E, depois, os termos em que ela se aplica, o Governo que traga à Assembleia uma proposta de decreto-lei e essa, aí sim, deve discutir-se a condição de recursos, deve discutir-se o valor dessa prestação. O que o PS transmitiu ao Governo foi: Temos é de evitar passar um cheque em branco ao Governo para que o Governo, por portaria, determine os termos em que vai alterar o apoio aos mais vulneráveis. Foi uma posição de muita responsabilidade, contrariamente ao que hoje foi apresentado.”
Carneiro falou ainda sobre as acusações de que os socialistas não quiseram participar na alteração à lei da nacionalidade, o que “é falso”. “Eu próprio me empenhei”, atirou, falando do caso dos menores. “Se perdermos os nossos princípios fundamentais e valores, não estamos a fazer aqui absolutamente nada”, acrescentou.
Carneiro disse que houve “trocou impressões” recentemente com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre a “importância” de se voltarem a encontrar “entre fim de junho e início de julho para podermos abordar algumas matérias de importância estratégica” para Portugal. Ainda que sinta que levou um cartão vermelho em certas matérias, como as acima citadas, Carneiro diz que mantém “disponibilidade” para arranjar soluções.
Já quanto ao Chega, Carneiro diz que uma aliança entre o partido liderado por André Ventura e o Governo “tem existido em matéria substantivas em relação à vida coletiva”.
Quando questionado sobre o Orçamento do Estado neste ano, Carneiro disse que “não toma decisões precipitadas” – em qualquer cargo – e que para dar ‘luz verde’ (ou não) é preciso conhecer o documento. “Tenho as minhas convicções mas, em regra, procuro compatibilizar as minhas convicções com a ética da responsabilidade […]. Daqui até outubro temos ainda muito tempo para falar sobre essa e outras matérias. Até outubro há questões muito importantes, por exemplo, a forma como se vai encarar a revisão constitucional ou a lei de bases da saúde, o nosso modelo de fundo de pensões”, elencou.

Trabalho, pensões, Chega e… até Pedro Nuno. Que foi hoje falado na AR?
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve presente no debate quinzenal desta quarta-feira, que ficou marcado pela reforma laboral, incêndios ou mesmo uma nova ‘estratégia’ do Partido Socialista. De que se falou?
Ana Teresa Banha com Lusa | 19:16 – 17/06/2026



