A antiga deputada independente Joacine Katar Moreira comentou o caso de Odair Moniz esta quarta-feira, depois de o agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) responsável pelos disparos que lhe tiraram a vida ter sido condenado a pena suspensa. O coletivo de juízes concluiu na segunda-feira que não existia nenhuma faca e o Ministério Público adiantou hoje que vai recorrer da pena.
“Para quem repete sem parar e sem pensar que Odair Moniz, cidadão assassinado pela polícia/estado, devia ter parado quando a polícia o intercetou naquela madrugada, digo-vos: Odair Moniz tentou escapar à morte“, começou por escrever numa publicação partilhada na rede social Facebook.
Na mesma publicação, acrescentou: “[Odair] quis viver! Quis voltar a ver a sua família e os seus amigos. Sendo inocente, fugiu porque sabia que a sua vida corria perigo às mãos das forças policiais”.
A antiga deputada independente considerou, ainda: “A polícia matou-o, mentiu sobre o ocorrido, tentou incriminá-lo e atacar a sua imagem colocando a população contra ele”.
“A verdade foi descoberta porque há quem neste país faça o seu trabalho de forma séria e imparcial, mas de nada valeu. Odair está morto e o polícia quer voltar ao ativo. Quem nos protege da polícia? Perguntamos. Justiça para Odair Moniz!”, rematou.
A faca (sem impressões digitais) e os dois tiros
Ao longo do julgamento, foram ouvidas várias testemunhas no Tribunal de Sintra, incluindo agentes da PSP que estiveram na Cova da Moura na madrugada da morte de Odair Moniz, vizinhos que assistiram ao momento em que Odair Moniz caiu no chão depois de ser atingido com dois tiros e inspetores da Polícia Judiciária que participaram na investigação.
Durante o julgamento, o coletivo de juízes, o procurador do Ministério Público e os advogados tentaram perceber, através do depoimento das testemunhas, se Odair Moniz tinha uma faca e se usou essa faca para ameaçar os agentes.
Entre os agentes da PSP, alguns afirmaram ter visto uma faca junto ao corpo de Odair Moniz, enquanto outros garantiram não ter visto tal objeto.
Da parte da PJ, as testemunhas afirmaram não existir qualquer vestígio biológico ou impressão digital de Odair Moniz na faca encontrada no local, o que torna, segundo os inspetores, muito pouco provável que o homem cabo-verdiano tenha utilizado a faca.
De acordo com a acusação do Ministério Público, Odair Moniz foi atingido por duas balas – a primeira na zona do tórax, disparada a entre 20 e 50 centímetros de distância; e a segunda na zona da virilha, disparada a entre 75 centímetros e um metro de distância.
Já o advogado do agente da PSP disse, logo à saída do tribunal, que recurso da sentença estava a ser ponderado. “Entendemos que o facto de não se ver a faca não quer dizer que não exista faca”, justificou Ricardo Serrano Vieira aos jornalistas no local.

Morte de Odair: “Não se ver a faca não quer dizer que não exista”
O advogado do agente da Polícia de Segurança Pública condenado na morte de Odair Moniz diz que o recurso da sentença está a ser ponderado. “Entendemos que o facto de não se ver a faca não quer dizer que não exista faca”, justificou.
Ana Teresa Banha com Lusa | 16:55 – 15/06/2026



