O Presidente da Assembleia da República, António José Seguro, assinalou o seu primeiro Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas com uma jornada que se iniciou no Luxemburgo (uma estreia também) e culminou nos Açores, onde discursou em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira.
Após as honras militares e o discurso de Miguel Monjardino, escolhido para presidir à Comissão Organizadora do Dia de Portugal, Seguro pediu “coragem” para “fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo”, enquanto defendeu a paz defendeu paz, direitos e “relação de equilíbrio” com Aliados de Portugal.
Pode consultar aqui na íntegra o discurso do Presidente, e, abaixo, as reações ao mesmo.
Os elogios e as “orelhas a arder” de Luís Montenegro
As primeiras reações ao discurso aconteceram ainda no local da cerimónia, e, mais tarde, também nas redes sociais, como foi o caso do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que se encontrava presente.
Na rede social X (antigo Twitter), o chefe de Governo partilhou uma mensagem sobre o Dia de Portugal, considerando que nesta data ficou claro o objetivo de “esforço conjunto” para um país com mais qualidade de vida e igualdade de oportunidades, com respeito internacional. A mesma mensagem vinha acompanhada de uma fotografia.
“Nos Açores, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas deixou claro o objetivo que temos para o país: esforço conjunto para que os portugueses – dentro e fora do território nacional – possam ter mais qualidade de vida, oportunidades iguais e o orgulho de ser parte de um todo que realiza cada um e merece o respeito internacional”, começa por ler-se na mensagem que pode ler abaixo.
Nos Açores, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas deixou claro o objetivo que temos para o País: esforço conjunto para que os portugueses – dentro e fora do território nacional – possam ter mais qualidade de vida, oportunidades iguais e o orgulho de ser parte… pic.twitter.com/qcW0r9EUIc
— Luís Montenegro (@LMontenegro_PT) June 10, 2026
Já o líder parlamentar do Partido Social Democrata, Hugo Soares, considerou que o Presidente da República deixou um apelo de estabilidade política no discurso do 10 de junho.
“Julgo que, como mensagem política, aquilo que resulta, para lá de uma palavra de esperança e de acreditar, foi um pedido para que todas as forças políticas tenham consciência de que estes são momentos, os momentos que vivemos, em que os ciclos eleitorais devem relevar menos, e aquilo que deve ser absolutamente decisivo é o interesse nacional. No fundo, uma palavra de longo prazo e de estabilidade política que registei, que anoto e com a qual concordo”, apontou.
O líder da bancada parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, destacou também o apelo à estabilidade política do Presidente da República no seu discurso, considerando-a fundamental para que o país possa implementar reformas.
“É fundamental que Portugal tenha estabilidade política para que as reformas que o Governo está a desenvolver possam efetivamente ter resultados na vida, no dia-a-dia dos portugueses. E esse apelo é também um apelo muito importante que o senhor Presidente da República deixa neste discurso do 10 de junho”, afirmou.
O Chega, por sua vez, considerou pela voz do líder parlamentar, Pedro Pinto, que o Presidente fez no seu discurso “uma série de alertas” ao Governo e que o primeiro-ministro “deve ter ficado com as orelhas a arder”. Mais tarde, o líder do partido, André Ventura, apontou que Seguro fez um discurso “pouco assertivo”.
“Teve o mérito de apelar à coragem, dizendo que é preciso coragem para fazer mudanças e reformas, mas, depois, foi demasiado institucional, pouco assertivo naquilo que é preciso fazer – e às vezes as pessoas não compreendem muito bem. O país está numa fase em que ou faz as mudanças que são precisas, ou não avançará e continuaremos a ser ultrapassados“, advertiu Ventura.
O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, considerou hoje que Seguro fez um discurso de 10 de Junho “muito substantivo” que dá “força e energia” e inspira para o futuro.
“No que respeita à vida política interna, há aqui [no discurso do chefe de Estado] uma mensagem de apelo ao diálogo, à concertação e ao compromisso para colocarmos os nossos propósitos fundamentais do desenvolvimento humano no centro das nossas prioridades”, declarou.
O presidente do Conselho Nacional da Iniciativa Liberal, Pedro Ferreira, disse que o partido está sintonizado com alguns dos apelos que foram feitos pelo Presidente e que o país “tem tudo para melhorar”.
“Relativamente à segunda parte da intervenção do senhor Presidente da República, apetece-me dizer que a determinada altura pensei estar a ouvir um dirigente da Iniciativa Liberal a discursar”, declarou Pedro Ferreira aos jornalistas em Angra do Heroísmo, sublinhando que Portugal “precisa é de esperança”, de “melhores remunerações”, de “menos Estado e de mais liberdade” e de “liberdade com responsabilidade”.
A líder da bancada parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, destacou o apelo do Presidente da República a um novo modelo de desenvolvimento, baseado no talento e no conhecimento científico, no discurso do Dia de Portugal.
“O senhor Presidente da República falou de algo que é muito importante para Portugal, que é um novo modelo de desenvolvimento, de que na verdade nós precisamos, baseado no talento e no conhecimento científico, e que para isso é preciso reter os jovens. E que para reter os jovens é preciso garantir que o mercado de trabalho é suficientemente recompensador”, afirmou.
Também o secretário-geral do PCP elogiou o apelo ao compromisso feito pelo Presidente nas comemorações do 10 de Junho e alertou que Portugal, apesar de ter “responsabilidades internacionais”, tem “uma voz própria”.
Paulo Raimundo enalteceu ainda o “apelo ao compromisso” feito pelo Presidente da República, António José Seguro, salientando que o partido está disponível para “esse compromisso pelos direitos”, nomeadamente ao nível dos salários, do Serviço Nacional de Saúde, da habitação ou das creches, enumerou.
Por sua vez, o Bloco de Esquerda considerou que as palavras de Seguro foram uma abertura para a intervenção política, mas avisou para a necessidade de ir mais além. O coordenador nacional do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, centrou-se na parte final da intervenção de António José Seguro – em que o Presidente de República falou da necessidade das “palavras do meio”, que “se abrem como convite ao diálogo” em “tempos de trincheiras” – para criticar a falta de concretização.
“António José Seguro entendeu não dizer nenhuma dessas palavras. Fez a apologia das palavras do meio, mas não disse quais são”, sublinhou, apontando a igualdade, a justiça ou a dignidade como algumas das palavras que, para si, servem de “guia para intervenção política”.
A porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, valorizou a realização das comemorações do 10 de Junho na ilha Terceira, nos Açores, e alertou que a coesão territorial “não pode ser apenas um mero chavão”.
Também referiu que o contexto atual da guerra é um desafio que Portugal tem de enfrentar, “não deixando para trás nem as matérias sociais, nem a questão da saúde ou até mesmo o combate às alterações climáticas, que é também muito relevante” para os Açores.
Marcelo esteve presente e avaliou discurso como “excecional”
Marcelo Rebelo de Sousa, presente nas cerimónias do 10 de Junho, classificou como excecional o discurso do seu sucessor ao cargo de Presidente da República.
“[Foi] um discurso excecional, excecional no que disse, excecional na forma como disse, excecional sobre Portugal, Camões, as comunidades, presente e futuro, excecional”, afirmou, em declarações aos jornalistas, à saída da cerimónia, não fazendo mais comentários enquanto se afastava dos jornalistas para cumprimentar várias pessoas que o interpelavam.

Marcelo elogia “discurso excecional” de Seguro no 10 de Junho
O ex-presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa classificou hoje como excecional o discurso do atual chefe de Estado, António José Seguro, nas cerimónias do 10 de junho.
Lusa | 15:45 – 10/06/2026



